E se um pequeno inseto conseguisse dar cabo de uma árvore invasora?

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Controlo biológico da invasora acácia-de-espigas em alguns pontos do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina com galhas de Trichi

A acácia-de-espigas é uma das principais ameaças aos ecossistemas das dunas do Sudoeste alentejano, causando também prejuízos nos campos agrícolas.


O controlo desta espécie invasora é muito complicado, já que ela produz um banco de milhões e milhões de sementes no solo que permanecem viáveis durante décadas. Quando se remove o estrato arbóreo de acácias, milhares de sementes germinam devido à exposição solar, regenerando rapidamente o acacial.

Em 2015, e após doze anos de estudos pela equipa do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, da Escola Superior Agrária e do Instituto Politécnico de Coimbra, foi introduzido em Portugal um método de controlo biológico desta acácia que impede a produção de sementes. O inimigo natural é um pequeno inseto australiano chamado galha de Trichi (Trichilogaster acaciaelongifoliae), da mesma região de origem da própria acácia-de-espigas, que põe os seus ovos nas gemas que originam as flores da acácia-de-espigas. Quando as gemas florais recebem os ovos do inseto, a planta “reage”, formando uma galha (ou bugalho) no lugar das flores.

Sem flores, não há vagens (os frutos) e sem vagens, não há sementes. A curto prazo, as áreas afetadas por este inseto deixam de ter novas sementes no solo, o que diminui a capacidade da espécie se espalhar para áreas adjacentes. A médio prazo, espera-se que as áreas onde esta invasora seja removida possam ser colonizadas por espécies nativas, pois deixarão de existir sementes viáveis no solo.

Em 2021 foram introduzidas pelo BIGEO – Clube de Ciência Viva da Escola Secundária de Odemira – várias galhas da vespa Trichilogaster acaciaelongifoliae em diversos locais do litoral de Odemira. O inseto tem feito um ataque eficaz, sendo que algumas árvores não produziram nenhum fruto neste ano. Contudo, a velocidade de dispersão da vespa é baixa. Ela tem-se espalhado apenas algumas centenas de metros por ano, e por isso, importa multiplicar os locais de combate biológico, trabalho que será realizado na primavera de 2023.

No âmbito da Semana sobre Espécies Invasoras 2023 vamos regressar aos Zimbrais dos Alteirinhos, para mais uma acção de conservação! Desta vez com o apoio da bióloga e professora Paula Canha, que irá transmitir o seu conhecimento em espécies invasoras e em especial, sobre o agente de controlo biológico de Acácia-de-espigas (Acacia longifolia), num workshop sobre galhas de Trichi.

Se queres saber mais sobre esta pequena vespa e sobre como podes ajudá-la na sua luta contra as invasoras, junta-te a nós, no dia 13 de Maio.

Semana sobre Espécies Invasoras
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Paula Canha

Paula Canha, bióloga, mestre em Biologia da Conservação, professora na Escola Secundária de Odemira. Vive no concelho de Odemira desde 1987. Os seus principais interesses são o conhecimento, divulgação e preservação dos valores naturais do sudoeste de Portugal. Participou em numerosos estudos ambientais, trabalhos de monitorização ecológica e cartografia de valores naturais. Colabora, entre outros […]

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